Fotos de Crystal Renn na Vogue Paris chocam os mais sensíveis

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A edição de 90 anos da Vogue Paris traz grandes editoriais. Dentre eles, um, intitulado “Festin”, que, para muitos, é chocante ou mesmo uma ofensa (“à moral e aos bons costumes”?)

As fotos trazem Crystal Renn – a modelo plus size mais famosa do mundo – ao lado de alimentos em poses sensuais. Até, então, tudo bem. A questão é que a presença farta de comida associada a uma modelo plus size acabou gerando polêmica.

Muitos acharam o editorial de muito mal gosto, alegando que, não é porque a modelo é de tamanho maior que ela deve posar comendo feito louca. Outros acharam que as fotos faziam alusão ao desperdício de comida e, portanto, era desagradável.

Além dessas opiniões, muitas pessoas consideraram o ensaio feito pelo fotógrafo Terry Richardson (o mesmo que fez o ensaio de Naomi Campbell descrito neste post e o mesmo citado neste post), deveras, ofensivo, utilizando palavras como “repugnante”, “nojento” e “horrível” ao descreverem o editorial.

Entretanto, uma grande parcela de pessoas sentem prazer em associar a comida ao sexo. Outra parcela, ainda, associa fartura e opulência ao erotismo. Imagino que muitas destas foram as que consideraram o ensaio “genial”.

Quando vi as fotos de Crystal Renn, a princípio, me pareceram exageradas, mas, ao mesmo tempo, alguma coisa me atraiu. Fui fisgada por um mistério oculto contido naquelas cenas.

Revi, então, as fotos e notei que são muito semelhantes a um filme de Peter Greenaway chamado “O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante” que se passa, justamente, em um restaurante, sendo grande parte do romance e cenas de cunho mais erótico passadas na cozinha, onde o homem seria apenas fome e sexo.

Além dessa, também fiz a ligação do editorial com algo bastante dionisíaco – deus grego, alegre e festivo dado ao vinho e à alegria -, o que é sugerido, principalmente, claro, na foto do vinho e do queijo.

Por fim, minha conclusão é que esse ensaio não busca explorar a imagem dos gordos como sendo relacionada ao exagero e desperdício. Através de uma representação exagerada, creio que Terry Richardson buscou ilustrar o gozo natural.

O que as fotos mostram, ao meu ver, nada mais é que parte da humanidade (eu falo sobre o âmago, aquilo que fica escondido e que poucas vezes, ou nunca, vem à tona) ao natural. Um quê de baco e de impuro, mas, ao mesmo tempo, algo de pecado inicial que nada mais era que a vontade de saber, de provar. Ainda que não seja tão puro quanto poderia, somos nós ali em Crystal Renn.

Talvez, seja mesmo arte. O que você acha?

Fonte e fotos | Lilian Pacce.

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