
Tudo o que é exclusivo, raro, e caro pode ser considerado item de luxo. A ideia do
termo nos remete a um mercado fechado e supervalorizado, porém a história do seu
conceito surgiu bem antes da sociedade industrializada.
Segundo o filosofo francês Gilles Lipovestsky, autor de livros como “O luxo eterno”
e “Do luxo sagrado ao luxo democrático”, a noção de luxo teve seu surgimento com a
criação da ideia de Estado e com a divisão social baseada em valores monetários,
aproximadamente 4000 anos a.C..

Entre outros fatores, “o luxo passou a ser o traço distintivo do modo de viver, de se alimentar
e até de morrer entre os ricos e os pobres. Assim, fixou-se a ideia de que os soberanos deveriam
se cercar de coisas belas para mostrar sua superioridade, o que gerou a obrigação social de se distinguir por meio das coisas raras”.
Já no cenário contemporâneo, o conceito de luxo passa por modificações influenciadas pelas
mudanças na organização social, no mercado e no comportamento do consumidor. Cada vez mais artigos de luxo são recriados e superpotencializados com ajuda da propaganda e da moda, esta que tem em sua natureza a renovação periódica. O design e valor de marca também são pontos catalizadores do desejo de possuir algum produto, muitas vezes relacionado com um quase-fetiche da sociedade de consumo contemporânea.
O mercado de luxo é, na verdade, um mercado para poucos. No entanto, o acesso aos produtos não está mais limitado aos milionários. Numa sociedade marcada pela concorrência feroz, o universo do luxo tende a aventurar-se em práticas diferentes. Exemplo disso são os brechós de luxo e empresas de aluguel de acessórios, que garantem o novo luxo na moda.
Fonte | LIPOVETSKY, Gilles. “Luxo Eterno”. São Paulo, Companhia das Letras, 2005.
LIPOVETSKY, Gilles. “Do luxo sagrado ao luxo democrático”. São Paulo, Log On Editora multimídia, 2006.
Fotos | sxc.hu
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