
A discussão que não quer ter fim no circuito fashion questiona os desfiles como meio de divulgar a moda. Depois do manifesto de Ronaldo Fraga, no fim do ano passado, muita gente passou a falar do tema. O falatório em torno do assunto está crescendo, mas o panorama geral indica que a turma cansou mesmo de fashionistas sem rumo e madame desocupada enchendo sala de desfiles.
A dúvida atroz que assolou o inconsciente fashion é se o formato de apresentação da moda (vale dizer, desfile) já se esgotou. E essa questão chegou à Rio Fashion Business de forma bem interessante.
A organização do evento teve que redirecionar investimentos dos shows monumentais para uma infra-estrutura física nova e melhor para receber o evento, incluindo a sala de desfiles básica (passarela, luz e camarim), que funcionou bem para apresentações objetivas e rápidas.

Passaram por essa passarela as grifes Sta. Ephigênia, a cearense Cholet, Maria Filó, Camila Klein e Anju Anju (ambas estreantes no evento), Oh, Boy!, Addict, Sacada, Afghan, Lix, Barbara Bela e Victor Dzenk. Cavendish, Patricia Vieira/Vivaz e Francesca Romana Diana optaram por fazer seus desfiles fora da sala.
Patricia Viera imprimiu um toque exclusivo não só à coleção, inspirada em Los Angeles, mas também ao seu foco de mercado, ao promover uma “tarde social” fechada em uma cobertura da Vieira Souto.
Na outra ponta, o mineiro Victor Dzenk levou o seu show de volta para a sala de desfiles, assinalando que “houve redução de investimentos na apresentação da coleção, mas o nível continuou o mesmo, o que pode ser comprovado pelo esmero na montagem do estande e até pelo retorno de vendas na nossa loja de Ipanema”.
Não é só isso, porém: as relações marcas-mercados adquiriram um ritmo cibernético, com as empresas investindo em novas ferramentas de divulgação, recorrendo cada vez mais ao e-commerce, ao Twitter e redes sociais, à maior interação de fotos com aplicativos como o Instagram e até à substituição dos look books impressos pelas galerias eletrônicas para tablets e e-books.
A rigor, os desfiles se transformaram em meros geradores de imagens fashion para toda essa parafernália tecnológica.
Um bom tema para reflexão, não acha?
Fonte | Jornal Estado de Minas, 15/1/12.
Fotos| aboutfashion; flori
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